O menor do zignaw

post sobre o zignaw do menor

Sem a menor vergonha

Hoje vou compartilhar mais uma experiência da área. Esta história já tem um tempo, mas para contá-la eu teria que, antes de tudo, assumir que “tomei um zignaw” (expressão usada na Bahia que quer dizer: fui enganado) de uma criança.

Antes de relatar gostaria de saber qual a sua opinião sobre redução da menoridade penal? Você acha que um jovem de 16 anos (por exemplo) que cometeu um crime passível de restrição da liberdade (homicídio, por exemplo), deve ser tratado como um adulto e ser preso? Você deve estar pensando: aonde é que esse cabra aí quer chegar?

Pois bem! No final do texto entenderão (espero).

O dia do Menor

Em uma dessas noites normais de serviço, embarcado em uma viatura do PETO, ao passarmos em um beco escuro, avistamos em um descampado, dois jovens que aparentavam ter 16 e 12 anos, respectivamente. Fomos aborda-los para saber o que os dois, às 2 horas da madrugada, ainda faziam na rua.

No momento em que perceberam a nossa chegada, os dois se separaram e logicamente, fomos atrás do mais alto; abordamos, revistamos e entrevistamos, mas o rapazinho disse que estava indo para casa depois de passar a noite na residência de um amigo em outro bairro. Perguntei sobre o outro menino e ele afirmou que era só um colega que encontrou no caminho.

Menor dissimulado

O outro jovem parou na casa de uma mulher, ali perto, e pediu água; fui lá, fiz uma revista básica para me certificar que não havia arma e perguntei a idade dele:

__ tenho 12 anos, Senhor;

Tá fazendo o que aqui uma hora dessa? Usa droga?

__ tô vindo da casa de um colega Senhor, nunca usei droga não. Todas as noites passo aqui e bebo água nessa casa.

Os outros policiais fizeram o rodízio e também entrevistaram um por um e chegamos a conclusão que nada de errado tinha ali. Liberamos então o menor de 12 anos.

A casa caiu

O problema foi que 2 minutos depois o outro rapazinho disse pra nós que os dois haviam fumados, juntos, um cigarro de maconha mais cedo. E pior: a dona da casa disse que nunca havia visto aquele “guri” lá na rua e que era a primeira vez que pedira água lá. Sabe aquela sensação quando a nossa mãe promete que Papai Noel vai trazer uma bicicleta no Natal e logo depois descobrimos que foi o nosso pai que botou o brinquedo lá? Foi assim que eu me senti.

Deixamos o outro cabra lá e partimos atrás do menor; quando entramos na avenida ainda deu tempo de vê-lo entrar numa rua, mas depois de uns 5 minutos rodando dentro do bairro, a Central passa o rádio: “Alfa 11 para as viaturas do setor 1, o menino que vocês acabaram de abordar na rua 36, retornou ao local e recuperou uma arma de fogo escondida em cima do pneu de veículo estacionado no local”.

O fundo do poço

Multiplique por 1000 aquela sensação lá. Ficamos por mais de 2 horas correndo atrás deste “pequeno infrator mentiroso”, mas este foi o dia dele, não o nosso.

Pouco tempo depois a arma foi recuperada e um primo dele (suposto ladrão e traficante) acabou morrendo na ação.

Pois é, numa análise pontual e simplista, posso afirmar que o crime não tem idade. E mais, a ausência de punição é um incentivo ao cometimento de crimes.

E vocês, acham o quê?


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Comments

  1. By Weslley

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    • By Jordão Vieira

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  2. By Isabella

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    • By Jordão Vieira

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  3. By Karlos Nascimento

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    • By Jordão Vieira

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