Quanto custa não custar?

policial correndo atrás de homem honesto - quanto custa não custar
Fonte imagem

Quanto Custa?

            Esta semana foi a última aula de direito penal na faculdade. Os últimos crimes estudados foram corrupção passiva e corrupção ativa.
         Como era de se esperar, o professor fez aquela pergunta “manjada”: “você se corromperia por duzentos mil?”. Imagine a cena, só você e o autor, sem possibilidade de ser descoberto. Uma infração mínima, um cigarrinho de maconha, ou até uma contravenção penal. Vai dizer que você não pegaria?
         Entre alguns corajosos que disseram que não pensariam duas vezes, alguns mais dados a prática que confirmaram que pegariam até por menos, outros que bancando o honesto disseram que não, (mas só da boca para fora), outros ainda que não pegariam…
         Eu disse que não.
         Não fiz vantagem alguma. Tenho vergonha de escrever este texto.
         Aí vem aquelas perguntas, mas óbvias do que perguntar ao policial “você já atirou em alguém?”.
         – Mas nem se te deram 500 mil?
–       Não, por preço algum.
–       Mas se você estiver com sua mãe (apelam) com câncer em estado terminal?
–       Câncer em estado terminal não tem cura, dinheiro não faz a mínima diferença. Só Deus poderia curá-la.
–       Mas se você precisar comprar um remédio caro e  não tem dinheiro?
–       Mandado de segurança em cima do Estado. Ele paga.
–       Mas se você não fosse filho da sua mãe, não frequentasse a religião que você frequenta e não tivesse a educação que você tem hoje?
–       Uai, (só para falar que sou de minas mesmo), se eu não fosse filho da minha mãe, não tivesse a educação que recebi e não fosse da “religião” que sou, eu não seria eu…

         Parece que as pessoas querem que você se corrompa. Parece que isso é o certo no Brasil. Não aceitam o não como resposta.
         Teve um colega que disse que por duzentos mil se “venderia”. Não, eu não faço isso. Não me vendo. Caráter não tem preço. (O seu tem?). Se você se põe um preço, você corre um grande risco. Preço é negociável. Vai me dizer que quem pega 200 mil também não pega 100 mil? 50 mil?…
Há uma peça teatral da Cia de Comédia Melhores do Mundo que trata sobre o tema. É uma interessante comédia se olharmos para o lado da corrupção, talvez nem tanto para seu lado promíscuo. (para quem quiser ver: http://www.youtube.com/watch?v=9RwOc2oTBW8).
            Caros amigos concurseiros, se há alguém que tenha o caráter negociável, fineza vá prestar concurso para agente de saúde, motorista da prefeitura, etc, profissões essas que estão menos suscetíveis de tentativas de suborno (antes que alguém me escrache, não são profissões menos importantes do que qualquer outra. Minha mãe é agente de saúde), pois certamente como policiais, tentativas de corrupção vão ser oferecidas a vocês, e se tem que ser muito homem para prender um criminoso com disposição, que olha no seu olho e diz que vai matar toda sua família, tem que ser homem para negar receber valores que talvez não ganharão ainda que vivam 200 anos.
         Precisamos de homens e mulheres que honrem suas fardas, seus uniformes, seu orgulho de ser polícia,  a arma que carrega no coldre, mas mais do que isso, pessoas que vão poder olhar para seus filhos e dizerem: vale a pena ser honesto.

Comments

  1. By Giovanna Muglia

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *