Por que não atirou no braço?

Não poucas vezes a expressão acima é veiculada. Mormente, por pessoas que nunca chegaram perto de uma arma de fogo. No máximo, atiraram pedras com “estilingues” quando pequenos.

 Legítima defesa: será mesmo que o tiro no braço é a solução?

 A polícia brasileira é a que tem um dos maiores índices de letalidade no mundo. O que ninguém diz é que o Brasil é o primeiro país do mundo em número de homicídios por armas de fogo cometido por civis. Logo, mais armas em circulação, uma lei benevolente, infratores motivados, o confronto é quase inevitável. A chance de um policial brasileiro morrer é três vezes maior do que qualquer cidadão comum.

 A utilização do armamento letal deve ser para salvaguardar a vida própria ou de terceiros quando existe ameaça iminente de agressão também letal. Não precisa esperar o meliante atirar primeiro, mesmo porque, se o dito cujo fizer a proeza, sua reação de nada valerá, pois como se fala no meio policial, “a gente entra pra ganhar, empatar jamais”, ou seja, empatar (matar o infrator e também morrer), não faz parte do jogo.

 A questão é mais técnica do que teórica. Tecnicamente, por mais que se prepare, em meio a uma troca de tiros, empunhando uma arma de fogo com uma única mão e com os dois olhos abertos, acertar o braço é missão dificílima. Aliás, acertar o braço não faz parte do treino, salvo os famosos “snippers”. Busca-se a neutralização da agressão, normalmente alcançada quando o projétil atinge partes do corpo que se tem grande circulação de sangue. Tiros em braços e pernas não se mostram eficientes para neutralizar agressão.

 Um criminoso que foi ferido com um tiro no braço ou na perna consegue continuar fazendo disparos.

 O que se vê é que normalmente as críticas partem de quem não conhece. Em um estado democrático de direito não se pode exigir que a imprensa tenha um conhecimento técnico para informar, mas é de bom alvitre que os Encarregados de Aplicação das Leis tenham a noção exata das metodologias utilizadas por suas corporações e possam treinar e se aperfeiçoar para que na hora do confronto real a “melhor vida” possa ser salva.

Comments

  1. By Lucas Andrade

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  2. By Souza

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  3. By Anderly

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