A rua das oportunidades

post sobre a rua das oportunidades

Na rua, uma casa de oportunidades

Minha avó paterna conta que no dia em que ela se casou e chegou na casa onde moraria com meu avô ela chorou. Havia uma canoa de arroz no meio da sala. Não era tristeza pelo objeto esquisito que não servia de enfeite e estragava a decoração (?). Era alegria porque ela sabia que não mais passaria fome.

Minha mãe conta que no dia 24 de dezembro de todos os anos, meu avô ia na rua e buscava um litro de refrigerante. Ele trazia e enterrava no barro da lagoa a noite para tomarem pela manhã do dia 25. Não havia geladeira. Esse era o método mais eficiente possível e a única vez no ano que eles tomariam refrigerante.

Um salário de iogurte

Eu me lembro, uma vez por mês, meu pai ia na rua e trazia um iogurte “mamuchinha”. Eu ficava com aquele resto de plástico sugando a última gota até minha mãe tomar ele de mim e jogar fora. E ainda tenho na recordação das palavras que eu dizia a ela “Um dia eu vou ganhar um salário mínimo – na época era duzentos reais – e aí eu vou na rua e vou comprar um litro de iogurte”.

Falta de oportunidade?

Dispensados os conceitos de pena e vitimismo, esse foi o contexto da minha infância. Isso faz com que você dê o devido valor a coisas simples que, a maioria das pessoas, não dão.

Será que grande parte da criminalidade está ligada a pobreza ou escolhas? Será que o traficante, que escolheu ter lucro fácil em vez de acordar cedo e trabalhar, é vítima ou autor?

Hoje vejo o esforço da minha esposa em propiciar o que há de melhor para nosso filho que ainda vai nascer. Se passar um urubu voando e alguém disser que é bom ter um no quarto da criança ela manda eu ir lá e pegar a ave. Lado outro tem eu, com minhas respostas positivas e carinhosas: “quando ele crescer, se quiser, que ele cace e pegue um urubu pra ele!” Na prática, não é bem assim, rs…

Com mais ou menos oportunidades financeiras, que possamos deixar uma vida melhor para nossos filhos e filhos melhores para a vida.


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  1. By Carla

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  10. By Rodiney

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  11. By Weslley

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