O livro versus a rua

post cronicas da rua

Crônicas de uma realidade da rua

Permitam-me abusar das aspas para descrever uma realidade paralela…ou não…

São vinte horas. Eu acabo de entrar de serviço. Eu nem bem entrei na viatura e já se ouve na rede rádio, “prioridade COPOM, prioridade”.

Meu motorista sai cantando pneu, o giroflex ligado, sirene “cortando na alta”, adrenalina “a mil”.

Chego ao local. Uma mãe chora sobre o corpo do seu filho, trêmula, um choro que dói. Dá vontade de chorar junto, sem nunca ter visto aquela pessoa. Alterando as leis naturais uma mãe vai enterrar um filho… não é a única neste país esta noite, nem no Estado, e se a noite não melhorar, nem mesmo na cidade.

A cena continua não boa. O vidro da viatura está estilhaçado. Em síntese, após a fuga, o autor dos disparos, após matar um jovem por um celular (latrocínio), atirou contra a guarnição, sendo preso com um revólver.

Não era a primeira vez que aquele jovem infrator (26), fora preso. Tráfico, roubo, porte ilegal de arma de fogo são apenas parte da sua ficha. Crimes menores nem cito.

Não se engane. A violência policial não começa nos cursos de formação. A violência vem da rua e volta pra rua. Isso e apenas isso.

Na academia de polícia eu aprendi sobre Polícia Comunitária, aproximação, Direitos Humanos, Gestão da Qualidade, relacionamento, etc, etc, etc. Minha vontade era sair da academia, fazer projetos sociais, aproximar da sociedade, quebrar os tabus que a ditadura deixou, dar as pessoas uma qualidade de vida melhor…era muita vontade.

Mas o livro não condiz com a rua. Tudo que é dito e falado não encontra respaldo nas ruas. A própria Constituição fundada sobre uma sociedade solidária (?)…

O dia a dia consome a vontade transformando em frustração. Enterrar um companheiro fardado que não voltará para sua casa é enterrar a expectativa de um país melhor. Ver tantas mães chorando dói. Tudo sob o argumento da falta de condição, contudo, nestes dez anos de carreira, ainda não atendi um furto de alimentos. Nada pra comer. Tudo para ostentar. Aliás, furto no Brasil é tão banalizado que é estilo Robin Hood, é distribuição de riqueza, a retirada dos ricos para dar aos pobres. E só!

O livro não condiz com a rua!

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abraços

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