Casar, amar e falar coisas inúteis

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Vai casar, prepare-se para administrar

Passava das onze da noite. Minha esposa estava a zapear qualquer coisa enquanto eu lia um livro, ambos deitados na cama. De repente, ela indaga:

– Amor, já imaginou se os protéticos entrassem de greve? Pergunta já provocando.

– Pro, Pro, Pro … o quê? Respondi num tom meio irônico e emendei com uma imitação de William Bonner no Jornal Nacional: “Boa noite, os protéticos entraram de greve. Vamos a previsão do tempo, e aí Maju? Vai chover no Acre?”, demonstrando certo desdenho. Enquanto ela resmungava mais alguma coisa, numa batalha já perdida, eis que continuei e dei o tiro de misericórdia, ainda sob o manto de William: “Boa noite, as PMs de todo o Brasil entraram de greve. Os homicídios aumentaram 500% em um dia. Agências bancárias estão sendo assaltadas, comércios estão sendo saqueados, ônibus queimados, enfim, o Brasil virou um caos. Governo está reunido neste momento para ver o que pode ser feito, etc, etc, etc…”.

Valendo-se da máxima que num casamento uma das partes está sempre certa e a outra é o marido, logicamente que a disputa não terminaria ali. Minha amada continuou:

– Você pode até ter uma profissão mais importante, mas foi você quem se deu bem em casar comigo. (Seguindo uma lista gigantesca de motivos para tal afirmação), dizendo-se assim a mais importante. Não deixei por menos:

– Foi você quem se deu bem em casar comigo. (Apresentei uns dois ou três argumentos que acho que não convenceria nem a minha mãe).

Caro leitor, você deve ter percebido que esse debate é inútil. Não existe vantagem nenhuma em discutir qual profissão é mais ou menos importante, pois cada uma tem a sua relevância dentro de um contexto de sociedade, tempo e espaço. Assim como não existe qualquer relevância em verificar qual dos dois pegou o “cavalo arriado passando” pois a partir do momento que se casam, se tornam um. Contudo, a briga de ego de quatro paredes parece transpassar e atingir muitas pessoas na área da segurança. Outro dia vi dois políticos discutindo pelas redes sociais sobre o problema de um estado específico. Detalhe: o que se via era uma guerra de vaidades. Não se via nenhuma proposta. Eu fiz, eu sou, na minha época era assim. É a boa máxima do EU VENCI, NÓS EMPATAMOS E VOCÊS PERDERAM!

Se no âmbito político a “beleza de Narciso” afoga a segurança no seu próprio reflexo, no âmbito técnico, muitas vezes, não se está longe disso. Você já deve ter ouvido o discurso que Eu reduzi em tantos por cento a criminalidade na área da minha responsabilidade. Pois é, lógico que existem profissionais diferenciados e que a sucessão em comandos nem sempre vem acompanhados de pessoas que sabem ouvir ou com boas propostas, mas existem uns que fazem uns “milagres” de redução criminal, vão embora e não passam a fórmula (Se é que existe fórmula ou mesmo o milagre, afinal de contas, morreu na praia é afogamento). Levar boas ideias e práticas consigo somente para não dividir ou com medo de perder seu espaço na corporação é tão egoísta que o destino lhe reservará um espaço sozinho com seu conhecimento dentro da terra. E neste dia, ninguém sentirá saudades.

A sociedade perde com atitudes assim em vidas, segurança. Eu e minha esposa, na nossa brincadeira, perdemos, no máximo, uma hora de sono.

No outro dia levantamos e fomos a padaria onde minha esposa compraria pão e um picolé. Sim, um picolé. Esse era o preço do acordo que fizemos. Ela estava toda feliz, me dera um picolé para que eu lavasse o banheiro toda semana (negócio da China). Eu achei que o acordo foi bom pra mim, pois antes da mudança (Se não viu o texto da reforma, clique AQUI), eu já era o responsável por lavar tal cômodo, na prática, ganhei pra fazer algo que já era meu serviço.

Chegamos a padaria do meu bairro e eis que pegamos o casal proprietário discutindo (na brincadeira):

Mulher: Antes de casar com você, você num era ninguém (sic).

Homem: Se eu não tivesse casado com você, você estaria plantando arroz no brejo até hoje (sic).

É, tem mais gente discutindo inutilidades do que a gente imagina.

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  1. By José Geraldo

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