Entrevista com o SD-PM Paulo Henrique

Olá meus nobres, esta entrevista vai ficar na história do nosso Blog. É uma longa conversa que nos elucidará várias questões referentes à briosa corporação. SD Paulo Henrique

Palavras de um guerreiro – Paulo Henrique

Olá meus nobres, esta entrevista vai ficar na história do nosso Blog. É uma longa conversa que nos elucidará várias questões referentes à briosa corporação. Leiam e curtam:
 
 
Nome (SD PM PAULO HENRIQUE):
Atuação profissional (24ª CIPM – Jacobina):
1.                  Você tem quanto tempo de corporação? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: Dia 7 de abril/2013 completei cinco anos como policial militar.
2.                  O que o inspirou a entrar na PM? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: Houve duas “inspirações”: Uma interna, pois desde pequeno já achava “massa” as fardas, o giroflex ligado e principalmente as armas. E a segunda “inspiração”, veio em 2006 quando um grande amigo me sugeriu fazer o concurso da PM.
3.                  O que você acha da formação dos soldados e oficiais da Polícia Militar da Bahia? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: Essa é a parte onde eu preciso filtrar minhas palavras (risos).
Bom, a formação de oficiais eu não sei, mas pelo estilo como a PM se porta perante essa questão, imagino que precise de muitos ajustes ainda. Conheço oficiais fantásticos, como também aqueles que parecem ser a inépcia em pessoa. Dos que são fantásticos, alguns já me disseram que o CFO é apenas um curso de soldado “melhorado” ou “demorado”. Então, quando ouço alguns oficiais [EU DISSE ALGUNS] discursando, e assisto a entrevistas de generais do exército (Como General Heleno), é latente a disparidade entre este e aqueles. E para comandar, é preciso ter mais que um curso melhorado/demorado e luva nos ombros. Graças a Deus que os excelentes oficiais são muitos, e tenho tido a sorte de ser comandado, na maioria dos casos, pelos que são excelentes.
Quanto à formação de soldado, parece-me ser ainda muito claudicante. A maioria dos professores que tive em meu curso foram ótimos; gente boa e gabaritada. Todavia, acho que o principal entrave é a dicotomia entre o militarismo, com sua estrutura austera e retrógrada – pelo menos quando se trata de policiamento nas cidades – e a obviedade de que o aprendizado pouco rende num lugar onde não se pode “transgredir” ao discutir um assunto. Ou seja, não se pode ousar discordar sem medo de punições. Como já disse a Lya Luft em seu livro Pensar é Transgredir: “Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas, mas sem demasiada sensatez”. E questionar ou se “rebelar” [ideologicamente falando], mesmo sensata e respeitosamente, ainda que contra os erros, não é algo bem visto na PM. No curso diziam: “tá ponderando, aluno?” (risos). Isso ocorreria mesmo quando estávamos certos. O que prejudica o senso de justiça e avaliação imparcial das situações. Faz o aluno entender que o conceito de certo/errado está em quem manda mais e não na Lei. Logo, na oportunidade em que este servidor se encontrar como “superior”, TENDERÁ a fazer prevalecer os “seus conceitos” e impor suas “verdades”.
Lembro-me de uma punição que sofri. Em meu lençol havia três ciscos [Nunca vou esquecer essa quantidade (risos)]. Fui punido por algo que não tive culpa. Não havia como controlar um alojamento que tinha aberturas laterais e onde o acesso de outras pessoas era constante. Mas, segundo as normas, o padrão de cama tem que estar bem feito e limpo. Então, fui punido, apesar de argumentar sobre estas dificuldades.
Todavia, a gente tenta fazer de conta que entende essa aplicação da “justiça”. Afinal, num Estado Democrático de Direito, a busca pela verdade e a aplicação do que seja mais próximo da justiça deve ser a maior busca dos julgadores e não a penalização pela penalização. Ainda que seja usado o argumento de “impactar para desvestir o indivíduo de seus ‘vícios’ de ‘civil folgado’”.
Mas o que eu nunca entendi, é que cometer erros com a arma de fogo não gerava esse tipo de punição. Se nos mexêssemos em forma éramos comunicados e punidos com a “licença caçada” (não poder ir para casa final de semana), mas se cometíamos erros em abordagens, apenas pagávamos alguns apoios. E ACHO que hoje nem apoio se paga mais. Ou seja, em meu limitado pensamento, entendia que a prioridade do curso era que aprendêssemos ordem unida e arrumar bem a cama, ainda que não fôssemos bons em abordagens ou no uso de armas de fogo. Essa discrepância é que nunca fez sentido para mim. E olha que, em meu curso, tivemos ótimos oficiais e praças à frente, em sua maioria. A questão, é que isso parece ser um “vício militar”. Provavelmente, também foram formados sob esse mesmo regime equivocado. É uma questão institucional. Gostaria de saber o que pessoas como Paulo Freire, Rubem Alves, Vygotsky e Piaget diriam ao ver a metodologia prática de ensino da PM (risos).
4.                  Muito se fala sobre um certo desentendimento “geral” entre Soldados e Oficiais na Polícia Militar-BA. O que você pensa sobre este fato? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: Quando você coloca “Soldados” à frente, nesta frase, dá a ideia de que estes são os agentes ativos no que concerne à palavra DESENTENDIMENTO e os oficiais, passivos (risos). Aí num vale (risos).
Brincadeiras a parte, digo que não é algo que se possa generalizar. E também depende da situação. Se falarmos em exigência por direitos; aí as praças são meio que sufocadas, sim. Até porque muitos oficiais, segundo ouço falar, são pressionados pelo governo para conter as manifestações da tropa, ainda que legítimas. E não é todo oficial que vai correr o risco de ficar sem posto ou promoção para lutar por esta causa.
Mas, no geral, o que vou chamar de DISTANCIAMENTO, mudou drasticamente. Ouço dizer que, antigamente, oficial nem sentava na mesma mesa que um soldado para fazer as refeições. Em contraste, já cheguei a escrever uma carta criticando e questionando a decisão do um comandante. Ele me chamou, conversou a respeito, me ouviu educadamente e hoje é um amigo que respeito muito. Isso é quebrar paradigmas. Ao invés do “trauma da estrela ofendida”, ele agiu como um verdadeiro oficial. No final, a decisão dele foi mantida e eu acalmado (risos).
Por outro lado, não dá para negar que, até por conta do que se chama de sistema, muitas praças aprenderam, de fato, o que significa “manguiar”. E aí, oficial não tem que passar a mão na cabeça de quem quer esculhambar, não. Muita gente quer fazer um monte de besteiras e espera que o superior cubra suas atitudes erradas.
Em contrapartida, quando um comandado age corretamente, e o correto costuma ofender a MUITOS políticos e “cidadãos de bem”, a maioria dos oficiais não tem o mesmo pulso firme para ficar do lado certo como tem noutras situações. Bem como, há oficiais que dificultam a vida de muitos policiais com bobagens; escalas abusivas, comunicação por tolices. Ou, ainda, massacrando com ordens incoerentes e exaustivas. Presenciei um oficial tratando meu colega, e grande amigo, como se fosse um cachorro. Aquele oficial nunca terá o meu respeito e jamais eu levaria um tiro por ele. Ou melhor, jamais arriscaria um fio de cabelo por ele.
Ou seja, há casos e casos. Em meu caso, agradeço a Deus por ter tido a benção de ter encontrado, em sua maioria, ótimos oficiais até hoje.
5.                  Para nós que vemos de fora, a realidade dos cursos de formação de Policiais Militares é repleta de estórias: muita ralação, maus tratos, humilhações, entre outros. Para você, que já passou por uma formação militar, estes relatos têm muito mais verdades ou mitos? Por quê? (Blog Quero ser Polícia).

SD Paulo: Isso é relativo. Mas é preciso salientar que é uma formação militar e não um curso de verão para ‘civis folgados’ (risos). É de extrema necessidade que o policial esteja preparado para o esforço físico, a adversidade do tempo e do terreno, e ainda tenha equilíbrio psicológico em meio à fome, sede e o cansaço. Eu nem vejo isso como traquejo (ruim), para mim, é a melhor parte da instrução. Só que, como muito na PM é imitação mal feita do exército, muitos dos treinamentos físicos tem bem mais a intenção do fazer sofrer do que preparar. Ser “selva”, para muitos (NEM TODOS), tem mais a ver com o quanto se aguenta sofrer do que o quanto se sabe sobre técnica, tática, inteligência e habilidade para adaptação e sobrevivência policial. Não é treinamento para espião que, se capturado, não pode revelar segredos que comprometam a Segurança Nacional. Estamos lidando com POLICIAIS que precisam ser resistentes e preparados para a ATUAÇÃO POLICIAL e não em combate de guerra.

Tive sorte em ter excelentes instrutores nessa área. Meu instrutor de tiro, por exemplo, era Tenente da CAEL. Hoje é Cap. E está fazendo o COPES. Acho que ele vai alcançar todos os brevês mesmo sem ser Cmt Geral (risos). Ele é um oficial que nos ensinou, num curso de formação de soldado, técnicas e habilidades de um curso de especializada, exceto pelo grau de dificuldade que foi bem menor, claro. Mas quem soube aproveitar pode ver a ementa de alguns cursos de especializadas e lembrar-se-á que várias das instruções que ali constam já nos foram ministradas por ele. Enquanto, noutros cursos, tem gente que sai sem saber o básico; como deixar o dedo fora do gatilho enquanto não há necessidade de atirar.
A melhor parte, para mim, foi a última semana (JIM – Jornada de Instrução Militar). Muita ralação. Perdi uns cinco quilos, eu acho (risos). Adoraria se aquele treinamento se repetisse todos os anos. Mas enfim… estamos na PM (risos).
No entanto, o que eu odiava mesmo era a injustiça. Outra vez fui punido com cinco dias sem poder sair do batalhão porque uma Sargento disse que fiz algo que eu não fiz. Essa coisa de ampla defesa e contraditório não tem espaço, na prática, lá. Se algum superior diz que você fez algo, então você fez e acabou. Daí vem aquele velho costume que aparece em muitas abordagens. Muitos “puliças” dizem: “Você tá dizendo que eu tô mentindo?!” (risos). Onde você acha que esses policiais aprenderam isso? Sem falar que são tantas disciplinas [matérias] e tantos trabalhos que não há como aprendermos, de fato, como é necessário a um policial. Daí, íamos “empurrando com a barrida”. Logo, não acho que seja possível realizar um bom curso com esse modelo de ensino.
Mesmo assim, me considero um felizardo, pois sou guizo do meu curso, em se tratando de uma forma geral. Muita gente que fazia parte do núcleo de formação (oficiais e praças) era comprometida com um trabalho correto, gente séria e que possuía amor pelo que fazia. Gente que se esforçava para conduzir um curso onde faltava material de limpeza, armário e o básico para seu bom andamento. É uma vergonha a estrutura que o Estado disponibiliza para esses cursos.
Você já visitou os alojamentos dos alunos oficiais? E as salas de aula? Por lá, que é para oficiais, você poderá deduzir como são os demais alojamentos dos cursos da PM (risos).
6.                  O que você sugeriria para mudar essa realidade da PMBA?
Primeiro era que a PM deixasse de ser uma Polícia de Governo para ser uma Polícia de Estado. Deixar de ter, como comandante supremo, o governador. Precisamos ter, como comandante supremo, alguém sem amarras políticas, que não precise de votos e nem corra o risco de perder o cargo por desagradar aos políticos. Uma Polícia de Estado, inclusive, poderia prender certos políticos ‘Foras da Lei’ ao invés de ter que se curvar perante os gostos de gente que pode prejudicar a carreira do policial ou transferi-lo a ‘toque de caixa’, como costumamos dizer e ver por aí.
Um colega meu foi transferido porque, nas últimas eleições, o prefeito queria que o policial notificasse um veículo que estava estacionado CORRETAMENTE, só porque estava na rua onde passava a passeata de sua comitiva. O policial desobedeceu, claro, àquela ORDEM ILEGAL [para não dizer RIDÍCULA]. Depois, foram transferidos, ele e o comandante da CIA, um Cap. Ou seja, nossa Polícia teria moral e sustentação para agir como determina a Lei e não conforme a politicagem que reina nesse país.
Em segundo lugar, seria desmilitarizar. Não se trata de, como muitos pensam, retirar a farda e tornar todos os policiais de investigação ou acabar com as especializadas. De forma alguma. Em outros países, há polícias investigativas e as uniformizadas. As uniformizadas, como a SWAT, são destinadas ao mesmo trabalho que nós (ostensivo); manter a ordem. E o fazem com melhores condições e salários dignos. Também seria uma forma de retirar esse regulamento arcaico que nos impede até de gozarmos de muitos direitos e garantias constitucionais, como a PLENA liberdade de expressão e o direito a fazer greve. A quem interessa uma polícia militarizada? Para que um soldado não fale o que pensa? Para que, numa manifestação, seja EXTRAMENTE difícil se recusar a combater quem está nas ruas, lutando por direitos que também são nossos? Para que Leis sejam desrespeitadas por mais de uma década e, quando nossa classe reivindicar, a Lei de Segurança Nacional ser usada para oprimir e massacrar?
E a desmilitarização, por outro lado, não anula a hierarquia e disciplina. Nas instituições civis há hierarquia e código de conduta. O policial que não cumprisse suas funções e desrespeitasse seus superiores, que fosse exonerado, após os trâmites legais. Simples assim.
Terceiro, uma força tarefa para “limpar” nossa polícia da pequena parte que nos envergonha. Uma força tarefa independente que começasse de cima para baixo. E, como quem não deve não teme, sei que a maioria é a favor dessa medida.
7.                  Você é feliz integrando a PMBA? Por quê? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: Profissionalmente, sou feliz porque gosto de ser policial. Sou feliz porque amo o serviço como ele DEVERIA ser feito. Amo vestir os equipamentos e poder, com meus irmãos de farda, manter a ordem e proteger os indefesos. Eu adoro armas. Mas a PM é política; ela serve a interesses políticos e isso a impede de ser a instituição da qual eu teria, de fato, orgulho. Então, é relativo dizer se estou feliz por integrá-la. Eu poderia afirmar se estivesse na Polícia do Canadá (risos).
Eu amo atuar, tanto de forma repressiva como de maneira preventiva contra o crime. Meu sonho era fazer parte de uma especializada, pois amo treinamento militar. Mas a PM não oferece treinamento constante depois que nos formamos. Exemplo: Há quem não saiba nem mesmo usar uma pistola e mesmo assim usam-na em serviço por status, enquanto os superiores nada fazem a respeito. Gente que se formou na época em que a PM só tinha revólveres calibre 38 e, quando o governo adquiriu pistolas e NÃO DEU A DEVIDA INSTRUÇÃO a estas pessoas, que, por sua vez e infelizmente, MUITAS DELAS (nem todas) também não tiveram e não têm a humildade em pedir para um colega que lhe ensinar ou tomar um curso, usam armas que não sabem nem mesmo como destravar. E, pior que isso, é gente nova na PM não saber manusear a PT 100. Acho “engraçado” nunca ter grana para treinar (que é um absurdo o Estado não fornecer material bélico para isso), mas ter para muitas ‘cervejadas’. Pô, é nossa vida que está em jogo. E temos vários casos de acidentes com arma de fogo. Na maioria, as regras de segurança não foram obedecidas.
No Brasil, há uma linha de pensamento muito retrógrada adotada por MUITOS, onde curso militar bom é quando alguém vai para a UTI com problema nos rins ou morre afogado. Bom, estou dizendo que essa é a linha de pensamento de MUITOS e não que isso tem ocorrido nos cursos da PM-BA. Só para deixar bem claro e evitarmos interpretações diversas.
8.                  Você concorda que a Bahia estará pronta, no que tange à segurança, para a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014? Por quê? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: (risos) Nem a Bahia e nem o Brasil estarão prontos. Mas a mídia vai maquiar bem porque esses eventos geram grana para ela também. E nossa mídia… Enfim. Digo que não estarão prontos porque brasileiro não gosta de seguir regras; odeia formalidades. Veja o andamento das obras. Um francês teve que falar disso e ainda foi rechaçado por dizer a verdade. Parece piada diante do mundo como o Brasil zomba da cara dos seus cidadãos. O metrô de Salvador é um belo exemplo do compromisso que este país tem com obras públicas. Sem falar nas obras de transposição do Rio São Francisco. Falar das condições das escolas e dos hospitais, nem é preciso mais. Principalmente se depender do Ronaldo Fenômeno (risos).
E das providências que deveriam ter sido tomadas para reduzir os efeitos desta seca? Quantas barragens e açudes foram construídos na Bahia? Enfim, não é cultura brasileira e nem baiana anteceder aos problemas e fazer o que é preciso para evita-los.
Segurança é eficiente quando as pessoas obedecem a uma série de procedimentos que evitam que o problema aconteça. Veja o trânsito. O problema do trânsito no Brasil é uma fiscalização “abrasileirada”, ou seja, conforme o jeitinho brasileiro. Aí, alguém sugere complicar ($$) o processo para se retirar a habilitação e deixa a fiscalização com a mesma demência. Você acha que vai melhorar algo no trânsito porque ficou mais caro tirar habilitação? Ou haverá mais gente não habilitada circulando por aí?
Mas, assim como no carnaval, o governo vai deixar tudo muito bonito nos locais de maior visitação e onde a imprensa estiver registrando, enquanto a periferia e demais cidades vão pagar o preço. No final, a MAIORIA dos brasileiros só se importa mesmo com a bola rolando e em gritar goooool. Nesse sentido, essa maioria ficará muito feliz com o verde e amarelo na tela, ainda que o vermelho-sangue seja a cor predominante pelo país a fora.
Então, vai parecer pronto, enquanto a verdade estará sob o “tapete”, esperando o evento acabar para a sujeira voltar às nossas telinhas, entre os “plin-plin’s”.
9.                  Paulo, há algum tempo percebemos o seu empenho na divulgação do projeto “DROGAS, VEM PENSAR”. O que é esse projeto e qual a sua participação nele?
SD Paulo: Há, aproximadamente três anos, comecei a realizar palestras sobre drogas. E recebi total apoio do meu então comandante, o Ten Victor (um desses excelentes oficiais que a Bahia tem). Mas percebi que o efeito das palestras parecia mínimo. Então comecei a rabiscar ideias que gestaram o aludido projeto. A começar pelo nome que avoca as pessoas a pensarem a respeito, ao invés de NEM PENSARem. É um convite a refletirmos sobre os motivos, efeitos e consequências que as drogas trazem e como atuar de forma preventiva contra este mal.
Eu costumo chamar de “a parábola da torneira aberta”. Enquanto policial, meu trabalho em relação às drogas é enxugar o chão enquanto a torneira continua aberta. Não tem adiantado prender traficante e muito menos usuários. O Brasil luta dessa forma há mais de quatro décadas e só tem piorado. Mas eu faço porque é minha função, é Lei e necessário enquanto a solução não chega. Já quando estou atuando no projeto, minha função é tentar fechar essa torneira. O foco principal é informar e proporcionar educação para quem nunca experimentou a droga. É tratar do assunto junto às escolas, instituições religiosas e/ou filantrópicas de uma maneira instrutiva e sem preconceitos ou falso moralismo. Sem condenar quem é a favor da descriminalização, pois não resolve nada. Apenas afasta boas pessoas de uma discussão saudável sobre o assunto.
Enquanto eu só queria guerrear, nada fiz além de algumas prisões e inimigos. Nunca vi nenhum desses se regenerarem. É como disse Einstein: “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.
Então, basicamente, o projeto foca na prevenção por meio de parcerias com escolas e instituições religiosas onde o tema é trabalhado durante todo o ano.
10.              Por fim, que dica você daria para aqueles que estão querendo ingressar na Polícia Militar em algum lugar deste País? (Blog Quero ser Polícia).
SD Paulo: A repensarem esse querer (risos).
Ser policial é fantástico. É ter a oportunidade de enfrentar os maus para proteger os indefesos. É poder servir à sociedade, ainda que esta nem sempre mereça ou muito menos entenda nossas ações; como a criança que não entende a disciplina dos pais. Mas é preciso entender a frase: “Ou se omite, ou se corrompe ou vai pra guerra” (Tropa de Elite 1). E decidir isso é muito mais complexo do que se imagina. Quem acha que vai entrar para mudar o mundo, pode procurar outro lugar. O mundo aqui já foi mudado pela política e não vai ser alterado por tão cedo. E todo PM sabe do que estou falando.
É preciso ter amor ao colega e dar a vida por ele. É preciso entrar com sentimento de família e que se um irmão de farda precisa de ajuda, não importa o quão difícil pareça ser, precisamos socorrê-lo.
É fundamental estudar sobre as Leis. Muitos colegas respondem a processos porque não fazem ideia do que a Lei determina. Tomam atitudes se baseando no próprio senso de justiça e pensam: “não vai dar nada”. E é aí que se dão mal. [Mas há muitos casos onde há aqueles que são perseguidos pela tal “justiça” brasileira, mesmo].
E, principalmente, precisamos de policiais que não se curvem ao governo quando este estiver errado; antes, se alimentem do espírito da democracia e se apoiem na Lei, para juntos, construirmos uma Polícia que se baseie em regras e não em interesses políticos. Uma polícia que seja em prol da vida. Que seja, de fato, um PACTO PELA VIDA. Pois, “sozinhos somos fortes, juntos somos a PMBA forte”. Como diz, brilhantemente, o nosso excelentíssimo senhor Comandante Geral.

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