Entrevista com o Al Of PM Flávio

Esta é, sem dúvidas, uma das melhores entrevistas que já tive a oportunidade de fazer. Desta vez, o escolhido foi um grande colega de Academia que daqui à alguns meses estará na condição de Aspirante PM. O Sr. Flávio Gabriel é outro amigo e incentivador do Blog Quero ser Polícia e também não pensou duas vezes para aceitar o convite de participar do nosso bate-papo. Desde já, deixo aqui os meus agradecimentos. Espero que gostem!!

Nome: Flávio Gabriel S. Souza
Formação: Psicólogo (Ruy Barbosa / 2006)
Especialista em Psicologia Clínica e Saúde Mental (UFBa / 2010)

 

1. O Srº já era Militar antes do ingresso na Academia de Polícia Militar? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: Não. Pertencia ao “mundo civil” como costumamos dizer por aqui.

2. O que o motivou a entrar na PM? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: A profissão policial faz parte das fantasias de muitos de nós quando crianças. Isso por si só já explica muita coisa, além do fato de ser uma profissão muito honrada. O interessante é que o orgulho de vestir essa farda aos poucos nos preenche. Mas claro que tem o lado salarial também, estabilidade, carreira, benefícios, algo que não se encontra facilmente em outras áreas como profissional autônomo.

3. Há um entendimento na “tropa PM” que a instituição está passando por uma fase de grandes mudanças. O que o Senhor pensa sobre o processo de formação de Oficiais da PMBA? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: mudança é uma constante em qualquer área, em qualquer aspecto. No Militarismo não é diferente, contudo, sem perder a essência. E olha que a realidade de aluno a oficial é bem a do quartel mesmo, com a rigidez que é inerente ao momento de formação dos futuros oficiais que exercerão funções de comando. As mudanças acontecem nos detalhes, a exemplo de se preencher um livro de partes de forma digital ao invés de ser manuscrito, bem como um campo de diálogo maior entre comandante e comandados. A respeito de nossa formação, observo que há uma dinâmica forte entre o feedback que é dado à APM pelos comandantes de unidades sobre as turmas que vão se formando e a resposta que nos é dada em nossa formação. Os alunos cobram muito o enfoque na área, na atividade prática, em conhecimentos que vão interferir e nos ajudar diretamente no nosso dia-a-dia depois de formados. Na medida do possível são feitas melhorias, pois há um currículo a ser respeitado, e são criadas disciplinas específicas, treinamentos, cursos, a fim de que o Aspirante saia cada vez mais qualificado. Isso passa a sensação de que cada turma que sucessivamente sai da APM tem um acréscimo, uma melhoria, o que só tem a trazer benefícios para a PMBA.

4. O Sr. está em fase de finalização do curso e imagino que com muitas expectativas sobre o serviço como Oficial PM. Como o Sr. está se preparando para enfrentar a nova fase como Aspirante PM? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: constantemente nos é dada a informação de que a tropa que está lá fora precisa de instrução, de treinamento, e que o Aspirante é peça fundamental neste processo. Alguns colegas se aprofundam no conhecimento de legislação, outros sobre armamento, gestão, etc. É uma grande responsabilidade do Aspirante, chegar na unidade com gás e disposição para finalizar sua formação e assim tornar-se Tenente. Assim, o que eu puder compartilhar do meu aprendizado na APM quando chegar na unidade que irei trabalhar, assim o farei, considerando que também terei muito a aprender com a tropa, contando com o apoio de todas as praças, que são peças fundamentais de todo esse processo.

5. Muitas pessoas que veem de fora, imaginam que a realidade na APM é marcada por uma “pseudo-guerra” entre os alunos dos cursos mais antigos e menos antigos. Contudo, percebemos que esta realidade tem mudado e que, a cada novo CFO, os alunos chegam com mais maturidade e perfil crítico mais aguçado. O que o Sr. pensa sobre esta problemática? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: o perfil do aluno a oficial mudou muito nos últimos anos. Como disse, a mudança é uma constante. As turmas dos oficiais superiores de hoje em sua época de academia tinham uma média de idade bem mais nova do que as turmas atuais, onde temos colegas com idades que vão desde os 19 anos até 40 anos, com as mais variadas vivências, formações superiores e experiências de vida e profissional, o que acredito que só contribui para a formação das turmas. Quanto à “guerra”, isso varia muito de acordo com o perfil das turmas mais antigas, mas acredito que o ambiente atual é bem mais tranquilo do que quando ingressei há dois anos, porém, isso não exime os alunos mais antigos de suas funções de fiscalização e controle dos alunos mais modernos, como sempre foi na APM.

6. Srº é feliz integrando a PMBA? Por quê? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: Felicidade é um conceito que se define mais pela sua busca do que pelo estado em si. Em outras palavras, posso dizer que estou, sim, buscando minha felicidade na profissão que escolhi. Acredito ter muito a oferecer à corporação pela experiência que já trago comigo, bem como tenho muito a aprender ainda na PMBA, pela sua variedade de formas de atuar, os diferentes cursos a fazer e campos de atuação. Estou apenas começando.

7. Diante da sua formação em Psicologia e também na área de Segurança pública, o Srº concorda que a Bahia estará pronta, em nível de segurança, para participar da realização da Copa do Mundo de Futebol no corrente ano? Por quê? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: No quesito técnico não tenho dúvidas disso. Nós, alunos a oficial, costumamos atuar em estágio operacional nos jogos da Arena Fonte Nova, Pituaçú e Barradão em apoio ao BEPE – Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos, e podemos ver como a tropa especializada já tem know-how para cobrir eventos de grande porte, servindo de exemplo para todo o país. Na Copa das Confederações em 2013, onde a APM também atuou, já tivemos um esboço, em menor escala, do que encontraremos na Copa do Mundo, com um público muito diferente do que estamos acostumados: pessoas de todo o mundo, muitas línguas, culturas e costumes diferentes. Acredito que este seja o maior desafio para a PMBA, de como lidar com a cultura de visitantes torcedores do mundo inteiro em nossa casa. Apesar de Salvador ser uma cidade turística que já recebe turistas de vários países (e a PMBA já ter experiência nesse campo), o evento Copa do Mundo nos traz uma massa de um turismo desportivo, logo, são turistas com um viés apaixonado, mobilizados emocionalmente pela vibração por sua pátria num terreno distante que os acolhe. É essa sutil diferença que imagino merecer atenção dos nossos comandantes na atuação da PMBA.

8. Por fim, que dica o Srº daria para aqueles que estão querendo ingressar na Polícia Militar em algum lugar deste País? (Blog QSP).

Al Of PM Flávio: Estudar, estudar e estudar. Os concursos estão cada vez mais difíceis e concorridos, e as restrições tendem a aumentar (graduação como pré-requisito de ingresso, a exemplo de outros estados).  Se o candidato não colocar a sua VIDA nos estudos e não fizer sacrifícios, acaba arriscando suas chances de passar. O candidato deve ter em mente que o concurso para o qual está estudando agora pode ser sua última oportunidade. O pensamento de que “se não passar agora posso tentar de novo ano que vem” pode boicotar sua dedicação aos estudos com a devida seriedade. Não tá fácil pra ninguém!

 

Comments

  1. By suzana menezes

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    • By Jordão Vieira

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  2. By suzana menezes

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    • By Jordão Vieira

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  3. By suzana menezes

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  4. By Elder

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    • By Jordão Vieira

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