Entrevista com a Al Of PM Nogueira

Olá meus nobres, desta vez a nossa entrevistada é a Aluna-a-Oficial PM Nogueira, atualmente 3º ano, mas daqui à alguns meses, Aspirante. Além disso, uma grande profissional que ao longo da sua trajetória vem se destacando no Curso de Formação de Oficiais da Bahia. Neste sentido, deixo aqui o meu imenso agradecimento a esta Policial, que diante de tantas demandas e correrias nem titubeou em aceitar o nosso convite. Leiam e aproveitem!

Nome: Janielle Nogueira
Formação: Bacharel em Serviço Social

1. A Sr.ª já era Policial antes do ingresso na APM? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: Não. Ingressei na APM como Aluna-a-Oficial no início de 2012. Antes disso trabalhei por dois anos como assistente administrativo no Ministério Público da Bahia.

2. O que levou a Sr.ª a fazer o CFO e quanto tempo teve que dedicar para conseguir o Objetivo? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: Meu ingresso no CFO foi quase uma surpresa, uma vez que minha inscrição foi feita por meu pai, não estudei para realizar a prova, e nunca havia sonhado em ingressar na Polícia. Ao passar no concurso, não me decidi prontamente se ingressaria na corporação, já que era concursada e não tinha as melhores referências sobre a Polícia. No entanto, pesquisei a respeito do curso e da carreira profissional, de modo que escolhi sair do MP basicamente pela perspectiva da carreira do oficialato da PM, pelas possibilidades de experiências que a Polícia oferece e pela função social exercida.

3. O que a Senhora pensa, enquanto Mulher, sobre o processo de formação de Oficiais e Praças da PMBA? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: Tenho certeza que a cada ano, a cada curso que se inicia, a mulher se torna uma figura mais valorizada na instituição. No entanto, há muitas barreiras pra se quebrar. Não somos beneficiadas por sermos mulheres, fazemos tudo que os homens fazem, e acredito que assim que deve ser. Se cobramos respeito não devemos buscar privilégios. Ainda assim, o preconceito permanece e os comentários maldosos e machistas continuam sendo proferidos por diversos colegas. A aluna de um curso de formação da polícia deve estar preparada para isso, pois também na área enfrentaremos essas dificuldades, nem por isso deixaremos de atuar com competência.

 4. A Sr.ª está em fase de finalização do CFO, na iminência de torna-se Aspirante PM. Como a Sr.ª está se preparando para enfrentar esta nova fase em sua vida? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: Estamos tendo instruções valiosas, como Feitos Investigatórios e Policiamento ambiental, por isso é um semestre letivo muito importante para o curso. Este preparo formal e acadêmico deve ser permanente e neste momento a necessidade de apreendermos estes conteúdos se torna mais latente. Todavia, não há como se sentir preparado para uma profissão tão arriscada e complexa, as instruções e treinamentos serão sempre incipientes.

5. Externamente à APM, a visão que as pessoas têm – inclusive as Praças PM – é de uma realidade marcada por uma rivalidade “exacerbada” entre os alunos dos cursos mais antigos e menos antigos do CFO. Entretanto, entendo que esta realidade tem mudado e que, a cada novo CFO, vem sendo construídos novos parâmetros de convivência interpessoal entre os Alof’s. O que a Sr.ª. pensa sobre esta problemática? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: A mudança é visível e considero muito positiva. No entanto, o militarismo não foi abolido da PM, do mesmo modo ele deve ser preservado na Academia. O respeito à antiguidade, o zelo à disciplina, as precedências ao curso mais antigo, a fiscalização às turmas mais modernas são características do CFO que não podem ser perdidas. Mas em nada essas posturas prejudicam que os alunos se tratem com urbanidade e respeito, inclusive porque, antes de mais nada, somos colegas que chegamos no curso em momentos diferentes.

 6. A Sr.ª é feliz integrando a PMBA? Por quê? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: Sem dúvida sou feliz como integrante dessa corporação, embora ainda conheça pouco de polícia, já que minhas experiências praticamente se limitam aos muros da APM e alguns serviços externos, caracterizados como estágio supervisionado. Sou satisfeita com minha escolha profissional, porque sempre desejei trabalhar em prol de uma sociedade melhor e acredito que o policial pode e deve atuar nessa perspectiva, com dedicação e de forma técnica e justa, jamais perdendo de vista que se deve sempre buscar melhorias para a própria corporação e seu efetivo.

7. Na condição de mulher, a Sr.ª acha que a instituição PM se adaptou bem às novas posições e conquistas femininas nas últimas décadas ou ainda há preconceitos com as Mulheres que aspiram ascensão profissional na Polícia Militar baiana? (Blog QSP).

Al Of PM Nogueira: O preconceito que subestima a competência feminina existe em qualquer ambiente, mas acredito que no meio militar ele se torna mais evidente, a começar pela quantidade de vagas disponíveis para o público feminino, correspondente a 10% do total de vagas. As policiais são ainda mais cobradas também no que se relaciona à postura e compostura, embora seja essa uma exigência do militarismo a qualquer um de seus integrantes. No contexto das atividades é comum sempre esperar que a mulher se forme e trabalhe na área administrativa, como se as policiais femininas não tivessem competência para a atividade operacional. Além disso, o serviço do oficial contempla na maioria das vezes as duas realidades, portanto faz-se necessário competência e habilidade nas duas áreas e não uma em detrimento de outra. Entendo que esta divisão de funções está muito mais relacionado com o perfil pessoal do que uma questão de gênero, como corriqueiramente é encarada. Uma conquista das policiais é que não há separação entre homens e mulheres no tocante à promoção, de modo que a promoção ao oficialato superior é recente em decorrência de ser também recente o ingresso da mulher no CFO da PM baiana.

8. Por fim, o que a Sr.ª poderia deixar como mensagem para aqueles que estão querendo ingressar na Polícia Militar em algum lugar do Brasil? (Blog QSP).

 Al Of PM Nogueira: As dificuldades no curso existem, independente do quadro em que se deseja ingressar. Ainda mais complicada é a própria atividade policial. No entanto, as vantagens de se trabalhar em uma instituição tão grande em tamanho e importância, são diversas, não à toa o certame é tão concorrido. A estabilidade, a possibilidade de progressão na carreira e, sobretudo, o fundamental papel de manutenção da paz, tornam esta profissão tão diferenciada. Se é seu sonho ingressar neste mundo, não desista. Precisamos de pessoas que realmente trabalhem com dedicação e venham pra somar, não façam parte do problema e sim da solução.

 

Comments

  1. By Lucas Andrade

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    • By Jordão Vieira

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  2. By Daniele

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    • By Jordão Vieira

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  3. By Átila Moy

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    • By Jordão Vieira

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  4. By suzana menezes

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