Direitos Humanos para humanos direitos

Mais um excelente texto deste aspira, Cléber Novais, que certamente te fará refletir sobre o real objetivo de falarmos em Direitos humanos. Confiram!

Mas afinal, para que direitos humanos?

Por Cleber Novais
Elaborado em 10/2013
Quando os casos de criminalidade tomam o noticiário, imediatamente a mídia institui um Tribunal de Exceção para execrar os suspeitos, fazendo com que a massa populacional não os veja com igualdade e dignidade, mas como seres que foram destituídos de sua condição de cidadão e que merecem condenação prévia, sem inquérito, sem julgamento, sem recurso.
É notória a nossa predisposição em prontamente condenar o próximo sem dispor de um mínimo indício de materialidade ou de garantir ao acusado os direitos consagrados em nossa Constituição, simplesmente pelo fato da máxima estabelecida de “Direitos Humanos para humanos direitos” aliado à existência de uma mágoa contra aqueles que militam na senda da defesa de tais direitos, fruto da ditadura militar que os consideravam subversivos e prejudiciais à Segurança Nacional.
Jesus Cristo, durante seu julgamento e condenação sofreu torturas delirantes pois não era considerado humano direito. Dois milênios se passaram e tal pensamento continua sendo propagado. Em 2006 uma mãe solteira e pobre, Daniele Toledo, ficou conhecida como o ‘monstro da mamadeira’ após ser acusada de matar a própria filha de um ano e três meses com cocaína adicionada ao recipiente. Como não era considerada ‘humano direito’ foi presa, torturada, introduziram uma caneta em seu ouvido perdendo assim parte da visão e audição.
Após o suplício, a perícia constatou que não havia cocaína na mamadeira e a causa da morte do bebê não foi decorrente da ingestão de drogas. Em 1994 duas mães acusaram os donos de uma escola em São Paulo de abusar sexualmente de crianças na faixa etária de um a seis anos. Como não foram considerados ‘humanos direitos’, a população enfurecida depredou a escola, roubou e quebrou a casa e somente após o suplício, o laudo comprovou que as crianças não foram abusadas e que as lesões foram assaduras ocasionadas pelas fraldas. Esta semana foi liberado do cárcere o pernambucano Cícero Roberto, preso há sete meses acusado de cometer homicídios. A justiça decidiu por convicção que ele era inocente devido ser homônimo ao verdadeiro autor do fato.
Está na hora de entendermos que a dignidade humana, bem jurídico inalienável e irrenunciável, é basilar do Ordenamento Jurídico e através dele poderemos superar a violência, a intolerância e a exclusão sob este estigma de ‘Direitos Humanos para humanos direitos’.

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