Desmotivação policial: sonhos destruídos

Olá caros leitores

Quando entrei para a polícia, ou melhor, logo quando saiu o resultado da aprovação no concurso fui avisado diversas vezes: “olha, não mude sua personalidade, não entre nessa guerra de patentes, não critique as praças por sua desmotivação, converse sempre com seus subordinados, você – por melhor que seja – sofrerá várias decepções, etc…”. Pois bem, vim para o curso com isso na cabeça.

Hoje, após um ano e meio de PM não consigo encontrar respostas para estes problemas. Já reconheço a desmotivação da tropa, apesar de estar ainda em formação, mas prevendo que breve estarei ao lado deles – comandando-os – não consigo achar a peça do quebra-cabeça que me permitiria amenizar esta problemática.

Eu estou na Polícia por vocação e sonho, não me vejo mais fora dela, mas antes mesmo de ir para as ruas como Oficial PM já começo a sofrer com as decepções que tanto me falaram que eu iria passar. Aprendi que os que mais sofrem decepções com a carreira são os que mais poderiam contribuir com a instituição e por algum motivo se sentem tolhidos e vitimados pelos seus próprios sonhos.

Tenho 50% do curso para concluir ainda, mas peço a Deus todas as noites que durante este período ele possa me dar sabedoria para saber lidar com estas contradições institucionais, para que meus comandados sejam direcionados por um verdadeiro comandante; um líder que tenha a coragem de sofrer junto com seus policiais e que não se acovarde e nem coloque suas promoções como prioridade em detrimento das necessidades dos seus homens. Outro ponto é que:

Nós estamos vivendo uma guerra. E sinto que estamos perdendo. Não suporto mais ver nos noticiários que mais um policial foi vitimado por bandidos.

A vida de um policial não é mais valiosa do que a vida dos homens e mulheres de bem, mas são estes guerreiros que tem a obrigação de proteger nosso povo. Mas estão morrendo sem ao menos estarem em combate.

Quando fiz a opção de vir para cá, não pensei que seria uma regra enterrar meus companheiros, mas, ir para o trabalho e voltar para o seio da família vem se tornando uma exceção para nós policiais. Por isso mesmo, se é para colocar as nossas vidas em “xeque” tão facilmente assim, esses homens e mulheres policiais merecem mais atenção, apoio e respeito. E se isso não acontecer dentro da própria instituição entre comandantes e comandados, como exigir esta postura da sociedade?

Comments

  1. By Lucas Andrade

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    • By Jordão Vieira

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  2. By Kaly

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    • By Jordão Vieira

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  3. By Karlos Venicius

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    • By Jordão Vieira

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      • By Karlos Venicius

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  4. By suzana menezes

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