Comando e consenso

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Comando: responsabilidades para poucos

Comandar é mandar com (junto). Esse é um conceito que aprendi na academia. Dividir com os subordinados as responsabilidades e também os louros das conquistas. Normalmente, muito se vê só aquele.

Sinceramente o termo e a explicação são aquém. Se segurança pública é “… dever do Estado e responsabilidade de todos…”, logo, eu divido o comando com todos. Isso inclui você!

Desde que assumi o comando de algumas cidades e distritos tenho feito reuniões com a população. A sociedade tem que saber de muita coisa que, lamentavelmente, não sabem antes de emitir opinião sobre segurança. Falo muito e ouço muito também…

No final das reuniões muitas dessas pessoas têm a primeira oportunidade de falar com um policial e saber a simples diferença do trabalho da polícia civil e a militar.

Na última reunião um homem disse que gostaria que passássemos mais no distrito. Queria ver mais nossa presença, pois, embora não houvesse crime no local, a presença policial gera sensação de segurança (não foram essas as palavras mas foi o que ele quis dizer). Enquanto eu mergulhei um biscoito numa xícara de café – uma forma mineira de receber palestrantes, autoridades, vizinhos ou qualquer um que chegue a nossa casa (café, biscoitos e queijo)– outro ouvinte reclamara que quando chegamos no distrito, a ostensividade do giroflex espantava possíveis infratores, logo, era para nós chegarmos escondidos, com luzes apagadas, etc (também não fora bem o que dissera mas em resumo o que quis dizer).

Educadamente eu expliquei àquela comunidade a dificuldade que é ser/fazer polícia. Não havia consenso nem entre eles sobre nossa atuação. Um preza mais pela presença, ostensividade, sensação de segurança. O outro, pelo serviço velado, quase investigativo, competência que já começa a esbarrar nos limites da nossa co-irmã. A questão de como chegaremos ao distrito depende de uma série de fatores e vai muito do planejamento, mas perceba que uma atuação com giroflex apagado, com técnicas de “barriga fria” e outras assemelhadas, fará com que o primeiro cidadão não seja bem atendido no seu anseio. De noite, dentro da sua casa, ele não verá a polícia passando e policiando sua rua.

Nossa sociedade tornou-se extremamente heterogênea. Se nem os movimentos afrodescendentes conseguem me dizer se as políticas afirmativas das cotas raciais reduzem ou aumentam o preconceito, se nem as feministas conseguem me dizer se a prostituição é o auge da independência das mulheres para fazerem o que bem entendem do seu corpo ou se lado outro, é o símbolo máximo de uma sociedade ainda machista que explora a mulher como se objeto fosse, não quereria eu ter consenso sobre polícia…talvez isso explique tantas críticas. Nesse momento, já tinha falado tanto que o café esfriou. Mais duas mordidas no biscoito de polvilho e vamos embora que ainda temos muito que trabalhar esta noite.

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Abraços

Comments

  1. By Luíza Helena

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    • By mineiro

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  3. By Leonardo

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    • By mineiro

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