Bandido bom é bandido morto

O bandido: seu destino sua saga. Artigo excelente de Cleber Novais, mostra como a sociedade brasileira é impulsionada pelo (des) serviço da mídia.

Bandido: seu destino sua saga

 A sociedade brasileira, impulsionada pelo (des) serviço da mídia, diante de casos criminais que a cada dia tomam repercussão nacional tem implorado por um Direito Penal mais rígido que possa solucionar a criminalidade crescente. Há calorosos debates e intenso apoio popular contra a descriminalização do uso da maconha, a favor da redução da maioridade penal e de punição mais severa para sancionar atitudes que muitas vezes não ultrapassam o âmbito do próprio autor. Li recentemente propostas inclusive para criminalizar o porte de simulacro de arma de fogo. Não seria mais interessante promover a conscientização assim como se faz nas campanhas contra o uso do cigarro? Ainda não percebemos que a solução não está na criminalização de condutas e sim na educação.
O produto “Segurança” é vendido fomentando o clima de medo e terror nas pessoas que por sua vez transferem ao Direito Penal a obrigação de solucionar as mazelas sociais ocasionadas pela omissão estatal no que tange à oferta de saúde, educação, lazer e cultura públicos, além da geração de emprego e renda. Esse sentimento de retribuição do mal causado através das penas acalenta as angústias e suaviza o ódio, porém não soluciona o problema, apenas expõe uma selvageria onde o próximo é visto com intolerância e o cidadão infrator é visto como um inimigo.
Estamos em um estágio de desvalorização da vida humana onde um modelo de se criminalizar a pobreza tem se enraizado no seio da sociedade brasileira e jargões como “bandido bom é bandido morto” são difundidos e apoiados de forma equivocada, ignóbil.
Quando o cidadão infrator é nosso parente ou amigo queremos que estejam disponíveis todos os recursos jurídicos para absolvê-lo, porém se é alguém ignoto, não há outra solução senão a condenação sumária e irreversível, suprimindo todos os direitos e garantias previstos, simplesmente para satisfazer nossos instintos bestiais.
Afinal, quem é mesmo o bandido?
Por Cleber Novais
Elaborado em 10/2013

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