Riscos da atividade policial

post sobre os riscos da atividade policial

Riscos de ser policial

Olá nobres amigos

Não sei se em alguma das 333 postagens do nosso Blog já tratei sobre este assunto. Provavelmente, sim! Mas volto a tocar no ponto, pois, nesses 4 meses de formado tenho percebido o quanto é relevante tratarmos sobre “os riscos da atividade policial”.

Desta vez não estou falando daqueles “riscos esperados”, como é o caso de uma troca de tiros, uma emboscada ou ser ferido ao reagir a um assalto. Estou falando do risco que fica do outro lado da linha da legalidade, tá entendendo? De quando agimos sem ter a certeza que estamos fazendo o que realmente é correto e legal.

Sempre ouvi dos mais antigos que o bom policial tem que ter bom-senso. Mas qual é o limite desse tal bom-senso? Por exemplo: se ao fazer uma ronda você, de serviço, encontra um amigo pilotando uma motocicleta sem possuir habilitação. O que você faz? Apreende a moto ou dá uns conselhos e libera-o? E se fosse um desconhecido? Mas afinal, o que diz a lei? O código faz distinção entre conhecidos e desconhecidos?

Na polícia não se trata de quanto conhecimento você tem, se trata do tempo que gasta para usá-lo

A grande maioria dos policiais que lerem esta postagem, certamente, ficaria com a segunda opção. Acho que até eu! Tudo bem, mas o fato é que de agente guardião da lei você passa a infrator, policial prevaricador. Percebeu? Um simples gesto lhe muda de posição e você tem que pensar ali, na hora, rapidinho.

Eu poderia mostrar aqui inúmeros exemplos – inclusive na área administrativa – mas acho que vocês já compreenderam onde quero chegar. Na polícia não se trata de quanto conhecimento você tem, se trata do tempo que gasta para usá-lo. Outro dia acompanhei uma diligência em que uma mulher foi flagrada cometendo um crime, ela era jovem e muito bonita, mas aos olhos da lei era uma infratora. O comandante da guarnição tinha testemunhas, a acusada e o objeto do crime, então determinou que o patrulheiro a algemasse, foi quando ela – em voz alta – disse que sabia dos seus direitos, que não estava reagindo e que por isso não poderia ser algemada.

E aí? 1, 2, 3, 4, 5 segundos, então o Comandante pediu para o colega algemá-la. E enquanto a sua determinação era cumprida ele parecia estar pensando o porque tinha determinado. Foi quando ela se agitou gritando que não iria entrar na viatura, se jogou no chão e começou a se debater pedindo para não ir no presídio (no fundo da VTR). Foi aí que ele percebeu que tinha tomado a decisão certa. Do jeito que ela estava, trazia riscos aos policiais e inclusive a si mesma. Tudo certo!

E a atividade policial é assim, todo dia uma realidade nova, mas você não tem tempo para se preparar. Tem que ser na hora e correndo risco de errar tentando fazer o certo. É exatamente por isso que é uma profissão singular e que não tem espaço para aventureiros. Para estar aqui é necessário amar o que faz, ou então, hora ou outra, será posto à prova e será reprovado.

 

Comments

  1. By Bruno Quesado

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